Acabo de ver o novo vídeo do Movimento Gota D´Água contra a construção da usina de Belo Monte. Muito bom finalmente ver pessoas famosas engajadas nesta ação que já tem mais de dois anos. É disso que o Brasil precisa, de pessoas influentes falando contra a construção do que já se mostra uma das maiores tragédias ecológicas e sociais dos últimos tempos.
Pra quem não sabe o Brasil é o país com maior capacidade de produzir energias alternativas do mundo! A Energia Solar e Eólica são projetos absolutamente possíveis e já se provaram eficientes nos locais onde são utilizadas, essas sim energias limpas. Não derruba árvores, não alaga florestas, não desaloja pessoas e animais dos seus lugares.....
O problema de Belo Monte porém vai muito além da questão da sustentabilidade e do meio ambiente. O problema social que será causado com a construção da energia é absolutamente irreparável. As populações ribeirinhas, conhecidas pela maioria de nós apenas pelos livros de geografia nos bancos da escola quando aprendíamos o que eram palafitas, serão simplesmente desalojadas. O que, aparentemente, não é problema...novas casas serão entregues a essas pessoas e elas recomeçarão suas vidas certo? Errado, essa população tem raízes culturais em suas comunidades, delas retiram seu sustento, lá desenvolvem suas habilidades e sua cultura. Colocar essas pessoas em outro ambiente de uma hora para outra é um crime, pois sem a possibilidade de buscar seu sustento na pesca e na extração vegetal sua sobrevivência dependerá de programas sociais que, caso o leitor não esteja informado sairá do seu bolso.
Há também a questão dos índios do Parque Nacional do Xingu que terão seu território diminuído imensamente por conta do alagamento da região. Os índios que já foram donos absolutos desta terra e que hoje, por muito favor, lutam para ter sua língua e cultura preservada em um pequeno território onde estão suas aldeias, terão de sair de sua terra mais uma vez pra serem jogados em outro espaço.
Há também a imensa perda de área verde onde inúmeras espécies nativas serão absolutamente dizimadas, e há ainda a riquíssima fauna local que sofrerá barbaramente com a agressão ao meio ambiente. O que no futuro gerará campanhas nacionais pela proteção dessas espécies que certamente estarão em extinção.
Mas se nada disso conseguiu sensibilizar meu prezado leitor pense nisso: 30 BILHÕES DE REAIS, isso mesmo que você leu R$30.000.000.000!!!!!!!! Que sairão do nosso amado bolsinho, gostou?
Se você já se achava muito idiota por pagar o salário e a corrupção dos políticos brasileiros, então imagina como vai ser se olhar no espelho de manhã antes de sair pra trabalhar e lembrar que no seu contracheque onde está escrito imposto vc lerá 30 Bilhões....
30 Bilhões que poderiam ser usados para aumentar o salário dos professores, dos bombeiros dos policiais, 30 bilhões que saíram dos royalties do Petróleo que vão para os seu estado, 30 bilhões que não serão usados para comprar medicamentos para os pacientes de câncer e de outras enfermidades do SUS....enfim...30 bilhões de reais que sairão do meu, do seu, do nosso bolso para financiar um projeto faraônico que não cumprirá com o prometido que é: RESOLVER O PROBLEMA DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA DO BRASIL!Porque se você não sabe, durante oito meses por ano não chove naquela região, e portanto não há fluxo de água suficiente para abastecer a hidroelétrica.
Então se você se preocupa com dar exemplo aos seus filhos, em ser uma pessoa antenada e ligada, em ter uma história pra contar no futuro,se você é daqueles que gostaria de fazer alguma coisa pra mudar tudo isso mas não sabe como, não tem tempo etc...dê um pulinho na página do Movimento Gota D´agua www.movimentogotadagua.com.br e assine a petição.
O futuro agradece.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Todos com Marcelo Freixo
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem;
pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.
Vladmir Maiakovsky
Ilma Sra Dilma Roussef
Presidente da República Federativa do Brasil
Prezada Senhora
Sou brasileira, trabalhadora, cumpridora de minhas obrigações legais, eleitora e hoje, mais que nunca envergonhada!
Envergonhada de saber que no dia de hoje 1/11/11 ficou claro, para o mundo inteiro, que vivemos uma farsa, que o sistema ruiu, que não precisamos de golpe de direita nenhum, o golpe foi dado nas estruturas do sistema político deste país. E a senhora dizendo por aí que somos uma nação forte!
Por favor presidente, a senhora é uma mulher inteligente e capaz, cai na real...isto é uma farsa, quando um homem público, um deputado estadual, tem de aceitar o asilo oferecido pela Anistia Internacional para proteger a sua vida e de seus familiares é porque não existe mais o ESTADO DE DIREITO e quando isso não existe o que existe é : A DITADURA!
Isso mesmo presidente, vivemos a ditadura de criminosos com fardas de policiais, os mesmos que deveriam garantir a nossa proteção, as pessoas não tem mais o direito de ir e vir, de investigar de expressar suas opiniões.....uma Juíza foi assassinada....ninguém disse nada, e agora o Deputado Marcelo Freixo está saindo do país, porque cansou de acreditar na palhaçada que o poder Executivo chama de Governo.
Presidente, a senhora é a minha última esperança e provavelmente a de muitas outras pessoas de bom caráter nesse país....tome providências imediatas para proteger a vida do Deputado, e consequentemente, a nossa. Mostre-nos o seu pulso forte de governante chamando às falas o Governador do Estado do Rio de Janeiro, ponha ordem na casa presidente, porque senão os anos que nós lutamos contra a ditadura serão chamados pela história de manifestações vazias.
As milícias tem a seu favor um sem número de empresários e políticos corruptos que se utilizam de seus serviços para não sujar as mãos, e nisso se fiam pra continuar impunes. É a hora de perder o medo e mostrar a cara de todos os fascínoras, inclusive daqueles que estão confortavelmente engravatados no poder.
Presidente, se eu fosse a senhora, chamava o Deputado pra ser seu Assessor para Assuntos de Decência Ética e Humanidade e começava a mostrar quem manda por aqui.
Atenciosamente
Maria Teresa Isoldi Ramos
Carta enviada ao Gabinete da Presidência da República em 1/11/11
Na segunda noite, Já não se escondem;
pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.
Vladmir Maiakovsky
Ilma Sra Dilma Roussef
Presidente da República Federativa do Brasil
Prezada Senhora
Sou brasileira, trabalhadora, cumpridora de minhas obrigações legais, eleitora e hoje, mais que nunca envergonhada!
Envergonhada de saber que no dia de hoje 1/11/11 ficou claro, para o mundo inteiro, que vivemos uma farsa, que o sistema ruiu, que não precisamos de golpe de direita nenhum, o golpe foi dado nas estruturas do sistema político deste país. E a senhora dizendo por aí que somos uma nação forte!
Por favor presidente, a senhora é uma mulher inteligente e capaz, cai na real...isto é uma farsa, quando um homem público, um deputado estadual, tem de aceitar o asilo oferecido pela Anistia Internacional para proteger a sua vida e de seus familiares é porque não existe mais o ESTADO DE DIREITO e quando isso não existe o que existe é : A DITADURA!
Isso mesmo presidente, vivemos a ditadura de criminosos com fardas de policiais, os mesmos que deveriam garantir a nossa proteção, as pessoas não tem mais o direito de ir e vir, de investigar de expressar suas opiniões.....uma Juíza foi assassinada....ninguém disse nada, e agora o Deputado Marcelo Freixo está saindo do país, porque cansou de acreditar na palhaçada que o poder Executivo chama de Governo.
Presidente, a senhora é a minha última esperança e provavelmente a de muitas outras pessoas de bom caráter nesse país....tome providências imediatas para proteger a vida do Deputado, e consequentemente, a nossa. Mostre-nos o seu pulso forte de governante chamando às falas o Governador do Estado do Rio de Janeiro, ponha ordem na casa presidente, porque senão os anos que nós lutamos contra a ditadura serão chamados pela história de manifestações vazias.
As milícias tem a seu favor um sem número de empresários e políticos corruptos que se utilizam de seus serviços para não sujar as mãos, e nisso se fiam pra continuar impunes. É a hora de perder o medo e mostrar a cara de todos os fascínoras, inclusive daqueles que estão confortavelmente engravatados no poder.
Presidente, se eu fosse a senhora, chamava o Deputado pra ser seu Assessor para Assuntos de Decência Ética e Humanidade e começava a mostrar quem manda por aqui.
Atenciosamente
Maria Teresa Isoldi Ramos
Carta enviada ao Gabinete da Presidência da República em 1/11/11
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
O preço de não escutar a natureza
Dessa vez não sou eu que falo. Mas um grande homem a quem devo respeito e consideração. Devemos refletir sobre isso e tentar mudar a história dos próximos verões.
O preço de não escutar a natureza
por Leonardo Boff
O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.
Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.
A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrário, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.
Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.
Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam.
Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.
No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.
Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.
Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.
Leonardo Boff é filósofo/teólogo
O preço de não escutar a natureza
por Leonardo Boff
O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.
Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.
A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrário, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.
Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.
Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam.
Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.
No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.
Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.
Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.
Leonardo Boff é filósofo/teólogo
Assinar:
Comentários (Atom)