Era um apartamento daqueles chiques, no começo da Miguel de Frias, a 10 m da praia, o ano era 1979. De repente tá o Grimble pendurado na janela cantando aos berros:
- Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer....
Quase tendo um infarte pergunto logo:
- Ficou louco? Pára com isso João!
- Agora pode, agora pode!!!!!
Essa é a minha lembrança do dia em que assinaram a anistia no Brasil. Tempos difíceis pro Brasil, mas pra nós eram tempos de descoberta e de liberdade, liberdade de ser jovem e inconsequente, quando ainda se podia ser jovem e inconsequente. Parecia que podíamos tudo, íamos mudar o mundo com nossa música, nossa poesia. O mundo, inclusive era só nosso.
Queriamos mostrar pro mundo a que viemos! Ir pro colégio descalça, discutir filosofia, tocar as músicas que falavam da gente!
" Canta uma canção bonita, falando da vida em ré maior!"
Eramos os donos do mundo! Grimble, Circe, Leo, Salsicha, Denise, e eu mais nova que todos, e louca pra ser descolada como eles. Fizemos um grupo, que um dia ia fazer teatro, "Tatibitati", palavra mágica, linguagem de criança.
Um dia depois 30 anos reencontrei o Grimble, e nós choramos! Um encontro lindo, como se não tivessemos ficado um dia longe um do outro. E ficou a vontade de encontrar os outros, de chorar com eles também, e quem sabe até cantar