quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Santa Teresa ilumine todos os professores!

Hoje é o dia de Santa Teresa! A santa do meu nome, padroeira dos professores, e por isso minha padroeira duas vezes!

Sou de uma família de professores, então até se eu não quisesse ser professora, eu provavelmente seria, porque vi a importância do professor na vida das pessoas desde pequeninha. E pra falar a verdade, saber que você, de alguma forma fez diferença na vida de alguém é uma sensação muito boa.  Ensinar é viciante, quando a gente se depara com um grupo de alunos novos é um desafio, são folhas de papel em branco que podem ser preenchidas com histórias magníficas, e sempre vale a pena.

Professor ganha mal, trabalha horas demais, mas ainda assim está lá, todos os dias, no horário certo, não se dá ao luxo de ficar doente, porque sabe que vai fazer falta. E no final do ano, quando aquele aluno que deu muito trabalho tem uma nota boa, se sente presenteado, mais um tijolinho do muro do conhecimento foi colocado. Porque no fundo, a superação dos desafios é a maneira que o aluno tem de nos dizer que é grato por termos acreditado nele, e isso não tem preço!

A gente se irrita, se aborrece, mas também se preocupa, torce por cada um, chora junto com eles ,e quando um dia eles vão embora a gente fica olhando a distância, e cada vez que vemos uma nova conquista a gente sente um orgulho louco,como se a conquista fosse nossa também, e diz : Ele foi meu aluno. Porque aluno passa a fazer parte da nossa vida, da nossa família, aluno é sempre inesquecível!

Tive muita sorte na vida, só tive professores excelentes, alguns eu diria extraordinários, sempre aprendi algo novo, algo que algum dia usei também com meus alunos. Talvez, o mais importante tenha sido saber que eu valia a pena e que era capaz! Sou imensamente grata a todos porque tenho consciência que, graças a eles, sou uma pessoa melhor.

Como sou e serei ainda mais grata aos meus alunos, que me desafiaram a acreditar que era possível, que inúmeras vezes me fizeram mais felizes por que me ensinaram que não há um ser humano que não seja capaz de se superar e que sempre vale muito a pena!

Que Santa Teresa ilumine o caminho de cada um de vocês, e que a chama do conhecimento nunca se apague!



sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Missiva ao Exmo Sr. Deputado Federal (ai meu Deus) Marco Feliciano

Ao Exmo Sr. Deputado Federal Marco Feliciano
Congresso Nacional - Brasília - DF
Exmo Sr. Deputado,
V. Exa. não pode imaginar a minha satisfação e felicidade ao ler os jornais ontem e descobrir que graças ao seu incansável trabalho em prol do povo brasileiro, a partir de hoje temos um novo conceito de família que é: A união entre um homem e uma mulher! Não tenho palavras pra expressar o meu alívio. Eu realmente precisava que alguém com a sua competência viesse colocar ordem na minha casa.
Claro, pois o senhor pode imaginar como eu estava confusa com esse conceito. Fui mãe solteira durante tantos anos, e agora posso explicar para minha filha de 20 anos e meu filho de 10 que nós não somos família, visto que o senhor gentilmente tirou este peso das minhas costas. A partir de hoje não tenho mais que me preocupar com o que vai acontecer com a vida deles, eles que se virem pra pagar colégio e faculdade, e claro não vou ter que me preocupar com netos vindouros, não são da minha família mesmo.
Já telefonei pra vários amigos solteiros que tiveram filhos fora da união clássica homem e mulher e já avisei, que graças à sua nobre decisão, eles podem largar a filharada por aí. Tenho certeza que eles ficarão super felizes de saber a novidade. Ahh tenho uma tia que não casou pra cuidar do pai e da mãe, isto aparentemente, também não está no seu conceito de família, então acho que a pobrezinha vai ter que largar os velhos e tentar arrumar um marido para, finalmente ter uma família!
Enfim, quero finalizar dizendo que estes anos todos em que acreditei que a palavra de Deus dizia que eramos todos irmãos foram pura tolice, agora tenho a certeza de que Deus não perde tempo com gente como eu, que ....imagine só, pensava que ter filhos e criá-los era o desejo do Criador, independente da união que me levou a eles.
Continue com o bom trabalho, logo logo, seremos uma nação sem famílias, e ....muito provavelmente sem Deus.

Atenciosamente,

Uma cidadã brasileira!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A idade da minha avó!

Daqui a alguns dias completo 50 voltas em torno do sol! Ou seja vou ter a idade da minha avó, ou a idade que ela tinha quando eu nasci. Na verdade vovó tinha 48 anos quando eu nasci, mas não sei porque ela sempre dizia que tinha 50 anos mais que eu, e assim ficou determinado na minha cabeça!

Talvez seja difícil para os jovens de hoje entender esse contrassenso. Quando eu era criança, senhoras de 50 anos tinham cara de avós, e avós eram velhinhas que ficavam em casa, faziam tricô e docinhos gostosos!  O mundo ainda era muito parecido com o que vocês assistem nos filmes de época, pais trabalhavam e mães cuidavam dos filhos e,na imensa maioria das vezes viviam juntos por toda a vida. TV quando havia era em preto e branco, o rádio era algo que ocupava parte importante em nossas vidas e telefone era uma coisa preta com um disco com o fone ligado a ele por um fio todo encaracolado, e só podíamos usá-lo em casa. O mundo era menos complicado, alta tecnologia era o rádio de pilhas, toca fitas e televisão em cores!

Mas nesse mundo tão simples, fui me acostumando que as coisas mudavam, e muito rapidamente! Minha mãe, sempre trabalhou, e com quatro filhos arrumou tempo pra se formar na faculdade, fazer mestrado e doutorado. Minha avó, aos 58 anos decidiu voltar a trabalhar para poder ter uma aposentadoria melhor e ajudar meu avô na corretora de valores, meus pais se separaram e eu mudei de casa, de cidade e de estado. E o mundo a minha volta também estava mudando.

Cresci no regime militar, lutei pela redemocratização do país, pintei a cara pra tirar o primeiro presidente eleito, fiquei mais cética e vi o Brasil chegar neste estado de coisas! Vi o primeiro computador IBM a chegar na Bolsa de Valores de São Paulo, uma coisa imensa que precisava de um monte de gente pra funcionar, andei na primeira viagem de metrô de São Paulo, vi o homem chegar a Lua ( e até hoje me pergunto porque),  participei das primeiras transmissões de dados via canal transdata no Brasil. Usei máquina de escrever, computador com tela cor de abóbora, tive medo da terceira guerra mundial, vi o muro de Berlim ser derrubado, fui ao primeiro Rock'n Rio, estava no verão da lata, fui a usuária do primeiro 386 comercial do Brasil, me lembro do primeiro bebê de proveta, dancei discoteque, patinei pelos rollers da vida, vivi a geração do tudo pode e que descobriu que não podia por conta de um negócio chamado HIV.

E de repente, pensando em tudo isso, percebo que também faço parte da geração que vai viver mais do que qualquer outra já viveu, e que ainda tem muita coisa por vir antes de eu poder dizer que estou velha. Os cabelos vão ficando cada vez mais brancos, os níveis de colesterol e a pressão arterial resolvem que é hora de aparecer, e começo a perceber que está mais do que na hora de deixar o importante tomar o lugar do urgente e realmente apreciar a vida!

Ainda me surpreendo ao olhar no espelho, me pergunto quem é essa senhora do outro lado, pois a cabeça continua pensando nas muitas coisas que ainda não fiz, nos sonhos que ainda tenho, nos lugares que ainda preciso ir e decido que a senhora que o espelho insiste em me mostrar precisa usar um pouquinho mais da energia da menina que ainda mora dentro de mim.

Que venham os 50, 60, 70, e quantos mais eu precisar viver, mas por favor, não se assustem com a menina de 15 anos que de vez em quando aparece e começa a dançar na frente do espelho, usando uma escova de cabelos no lugar do microfone, fazendo o seu show particular.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Sobre a tolerância!

Cresci apreciando charges do antigo Pasquim e da revista Mad, e era especialmente fã do Fradim, o personagem anarquista do saudoso Henfil. As revistas do Henfil nunca foram guardadas em local escondido, ao contrário, tanto estas quando as edições do Pasquim estavam sempre num lugar que podiamos encontrar, ler e apreciar. Eu tinha mais ou menos uns 8 anos, e claro que não entendia muita coisa, mas eu gostava do que entendia. O Fradim era certamente uma ofensa pra muitos carolas, e ainda assim, em plena ditadura militar, estava em todas as bancas de jornal.
Sou católica de formação , vou a missa e tento seguir ao máximo o ensinamento de JC: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. e nunca me senti ofendida por nenhum cartum,livro, programa de tv, vídeo ou o que quer que seja, que satirisasse minha fé. Muito ao contrário, o meu filme favorito ainda é Monty Python e o Sentido da Vida.
Diferentemente de muitas pessoas que acabam de descobrir a existência do Charlie Hebdo, sou fã da publicação há anos e me diverti imensamente com suas capas da época do conclave, todas indecentes, todas hilárias.
Eu acredito piamente na existência de Deus, acredito que Ele é Todo Poderoso, que é o Alfa e o Ômega, e que portanto não está nem um pouco preocupado com o que podem ou não falar ou dizer em nome dele. Eu acredito que Deus é amor puro, e que o amor, como disse São Paulo, é tolerante.
Deus não precisa da sua defesa e nem que se apiedem dele, antes muito pelo contrário. Deus certamente deve ficar bem p da vida com o monte de asneiras que dizem em seu nome. E mais ainda com a violência e as palavras ásperas que seus filhos saem dizendo uns para os outros em nome D'Ele.
Minha fé é inabalável, então não se melindrem se eu não curtir a filosofia barata que se instaurou na rede social em defesa do indefensável. A vida de todo ser humano é sagrada, independente da sua opinião sobre ele!
Pronto falei!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A Rede

Cada dia me espanto mais com o ser humano, infelizmente não é um espanto bom, mas um espanto mesmo, um susto, eu diria até que um pesadelo.

Pois o bicho homem inventa ferramentas para melhoria da espécie e sempre alguém descobre um jeito de usar essa ferramenta para destruir outros homens. Com a rede social não é diferente.

Mas em pleno século XXI, depois de termos visto e conhecido tantas barbaridades era de se esperar que as pessoas fossem mais cuidadosas ao dizer barbaridades em público....e o que acontece é exatamente o contrário.

Além de sermos presenteados diariamente com coisas importantíssimas como a foto da comida do João, ou a roupa nova da Lucinha, ou ainda o desabafo mal amado da Mariazinha, ainda temos que nos deparar com absurdos que deveriam ser impensáveis em nosso mundo. Pessoas mostrando publicamente seus preconceitos, expondo suas mazelas psicológicas, ofendendo e denegrindo a imagem de outras.

Agora temos um novo tipo de cidadão social, aquele que se recusa perceber a história como ciência, isto é, como um estudo sério de provas documentais de coisas que aconteceram no passado, seja ele remoto ou distante, e saem por aí negando a história e dizendo que é tudo uma invenção para denegrir a imagem de um movimento ou idéia comprovadamente errada. Como negar a existência do Holocausto Nazista, do fuzilamento dos contra revolucionários em Cuba, da tortura durante a ditadura militar no Brasil.

Infelizmente, as pessoas tem dificuldade de perceber que somos responsáveis pelo nosso saber, e dele temos que cuidar com carinho pra não ser pego em outra rede, a de intrigas e fofocas que não constroem coisa nenhuma.

sábado, 8 de março de 2014

Dia Internacional da Mulher

E vem ele de novo, o tal do dia da mulher! Eu já impliquei muito com isso, afinal acho que todos os dias deviam ser das mulheres, dos homens, da humanidade enfim. Mas parece que com a idade vem uma certa sabedoria (graças a Deus) e a gente vai deixando certas implicâncias de lado.

Rendo então minha homenagem às muitas mulheres da minha vida.

À minha trisavó Inês, que ensinou suas filhas a ler através das cartas que recebia, e que ao se ver viúva com filhos pra criar, saiu da pequena Silveiras e foi-se embora pra São Paulo onde montou uma pensão para meninas do interior que iam fazer Escola Normal, isso nos priscos idos de 1900.

À minha bisavó Clarinha, que a vida inteira se dedicou ao ensino público e assim, junto com seu marido e também educador, criou suas filhas e uma geração de agradecidos alunos.

À minha avó Maria, mulher de grande valor, que mesmo tendo sido uma das melhores alunas da Faculdade de Sociologia e Política, casou-se e criou seus filhos, netos e bisnetos, sempre nos mostrando que devíamos ir mais longe, e se enchendo de orgulho a cada conquista, cada formatura, cada indicação de um de nós.

À minha abuela Josefa, que no meio da Guerra Civil Espanhola, grávida de meu pai, recusou-se a sair de Madrid após a prisão de seu marido, que criou seus filhos sozinha durante os 7 anos de reclusão de meu avô, e que nos tempos bicudos perguntava aos filhos: hoje vocês querem comer ou ir ao cinema? E com isso levando um pouco de fantasia à vida deles.

À minha mãe, que com muita luta criou seus 10 filhos, trabalhando  e estudando incessantemente durante  40 anos, arrumando um tempinho pra fazer roupas novas pras nossas festas, corrigir trabalhos de escola, revisar TCC's e cuidar dos pobres e doentes.

Enfim, à todas as mulheres extraordinárias com quem tive o prazer de viver, todo meu carinho e respeito, porque como diz a garotada, nos somos multitarefas, e somos boas nisso!


sábado, 15 de junho de 2013

Eles saíram do Facebook, e agora?


Dedicado especialmente a Gabriela Ramos, Bruno Castanho e Daniel Zimmand, jovens que me emocionaram e me fizeram ter saudade de mim mesma.

Há anos ouço dizer que a juventude de hoje não se manifesta, que as coisas poderiam ser diferentes se eles não fossem tão alienados, que nosso tempo era diferente. Depois do advento das redes sociais, os adultos de plantão adoram publicar que a molecada precisa tirar a bunda da cadeira e ir protestar no mundo real! Então eles foram, foram sem estar preparados, porque nós pais e professores resolvemos que como seres impensantes não deveríamos expô-los aos perigos da vida.

Primeiro, tiramos deles a necessidade de pensar....pensar é para os fracos, ler é atraso de vida.. bom mesmo é novela, video-game e disco da Xuxa. Depois fizemos com que eles acreditassem que o importante nesta vida era TER, SER era secundário, quem tem coisas não precisa ser nada. Na sequência ignoramos os desmando políticos do país, afinal meu carro é zero, o apartamento está quase pago. Política é perda de tempo. Pra finalizar tentamos ao máximo alienar nossos filhos fingindo que poderíamos protegê-los de todos os perigos: 

_ Motel é perigoso, traz seu namorado pra casa.
_ Transporte público é perigoso, mamãe paga a perua escolar.
_ Não posso ficar sem notícias suas, toma um celular...com todas as modernidades e frescuras que você tem direito,  afinal eu não vou deixar meu filho alienado sem um Androide.


E aí.....mataram um deles por um celular. (Aquele um que ele carregava para a própria segurança)
E aí ... fizeram arrastão no dia do show.....
E aí....eles se tornaram reféns de uma cidade violenta
E aí....eles foram pra rua reclamar! E aí da primeira vez eles fizeram o que aprenderam em casa, gritaram de volta, deram porrada de volta.
E aí eles apanharam e disseram que eles não podiam mais fazer isso e mandaram eles pra casa de castigo.

E aí, a história ficou mais bonita, porque eles perceberam que eram cidadãos e que eles tinham que poder protestar, porque a constituição garantia isso e porque apesar de termos feito tudo pra torná-los alienados, existe vida inteligente junto aos jovens e eles deram um grande totó em todos nós. Voltaram pras ruas, mas desta vez não como massa de manobra dos politiqueiros de plantão, mas como verdadeiros cidadãos, com flores na mão, com palavras de ordem de Não Violência, sentando na frente da tropa de choque numa demonstração de que não eram baderneiros............mas a ordem estabelecida já tinha decidido, criança baderneira tem que ficar de castigo, ir preso!

Os que cresceram demais e esqueceram como era bom ser jovem e sonhar que tinhamos o poder da mudança foram pra televisão criticar e julgar, determinar que não podemos suportar isso. O que os outros vão pensar de nós? Imagine isso no meio da Copa das Confederações.

Senhores que hipócritas nos tornamos! Por conta de alguns vinténs, não os R$0,20 pelos quais os meninos e meninas protestam com todo o direito, mas o carro na garagem, a TV de 300 polegadas e a pizza delivery.....nós adultos, não vamos abrir mão desses vinténs conquistados com muito suor.

APESAR DE NÓS ELES SAÍRAM DO FACEBOOK! 

Meu apoio incondicional aos jovens que vão pra rua, minha solidariedade a cada um deles, pois vocês têm sim o direito de sair do facebook e mostrar a cara pra este país, mostrar que vocês tem opinião e que não se calarão por alguns vinténs. Minha gratidão por nos mostrar que sonhar vale a pena, apesar dos outros.