sábado, 15 de junho de 2013

Eles saíram do Facebook, e agora?


Dedicado especialmente a Gabriela Ramos, Bruno Castanho e Daniel Zimmand, jovens que me emocionaram e me fizeram ter saudade de mim mesma.

Há anos ouço dizer que a juventude de hoje não se manifesta, que as coisas poderiam ser diferentes se eles não fossem tão alienados, que nosso tempo era diferente. Depois do advento das redes sociais, os adultos de plantão adoram publicar que a molecada precisa tirar a bunda da cadeira e ir protestar no mundo real! Então eles foram, foram sem estar preparados, porque nós pais e professores resolvemos que como seres impensantes não deveríamos expô-los aos perigos da vida.

Primeiro, tiramos deles a necessidade de pensar....pensar é para os fracos, ler é atraso de vida.. bom mesmo é novela, video-game e disco da Xuxa. Depois fizemos com que eles acreditassem que o importante nesta vida era TER, SER era secundário, quem tem coisas não precisa ser nada. Na sequência ignoramos os desmando políticos do país, afinal meu carro é zero, o apartamento está quase pago. Política é perda de tempo. Pra finalizar tentamos ao máximo alienar nossos filhos fingindo que poderíamos protegê-los de todos os perigos: 

_ Motel é perigoso, traz seu namorado pra casa.
_ Transporte público é perigoso, mamãe paga a perua escolar.
_ Não posso ficar sem notícias suas, toma um celular...com todas as modernidades e frescuras que você tem direito,  afinal eu não vou deixar meu filho alienado sem um Androide.


E aí.....mataram um deles por um celular. (Aquele um que ele carregava para a própria segurança)
E aí ... fizeram arrastão no dia do show.....
E aí....eles se tornaram reféns de uma cidade violenta
E aí....eles foram pra rua reclamar! E aí da primeira vez eles fizeram o que aprenderam em casa, gritaram de volta, deram porrada de volta.
E aí eles apanharam e disseram que eles não podiam mais fazer isso e mandaram eles pra casa de castigo.

E aí, a história ficou mais bonita, porque eles perceberam que eram cidadãos e que eles tinham que poder protestar, porque a constituição garantia isso e porque apesar de termos feito tudo pra torná-los alienados, existe vida inteligente junto aos jovens e eles deram um grande totó em todos nós. Voltaram pras ruas, mas desta vez não como massa de manobra dos politiqueiros de plantão, mas como verdadeiros cidadãos, com flores na mão, com palavras de ordem de Não Violência, sentando na frente da tropa de choque numa demonstração de que não eram baderneiros............mas a ordem estabelecida já tinha decidido, criança baderneira tem que ficar de castigo, ir preso!

Os que cresceram demais e esqueceram como era bom ser jovem e sonhar que tinhamos o poder da mudança foram pra televisão criticar e julgar, determinar que não podemos suportar isso. O que os outros vão pensar de nós? Imagine isso no meio da Copa das Confederações.

Senhores que hipócritas nos tornamos! Por conta de alguns vinténs, não os R$0,20 pelos quais os meninos e meninas protestam com todo o direito, mas o carro na garagem, a TV de 300 polegadas e a pizza delivery.....nós adultos, não vamos abrir mão desses vinténs conquistados com muito suor.

APESAR DE NÓS ELES SAÍRAM DO FACEBOOK! 

Meu apoio incondicional aos jovens que vão pra rua, minha solidariedade a cada um deles, pois vocês têm sim o direito de sair do facebook e mostrar a cara pra este país, mostrar que vocês tem opinião e que não se calarão por alguns vinténs. Minha gratidão por nos mostrar que sonhar vale a pena, apesar dos outros.








sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Saudade!

Era um apartamento daqueles chiques, no começo da Miguel de Frias, a 10 m da praia, o ano era 1979. De repente tá o Grimble pendurado na janela cantando aos berros:

- Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer....

Quase tendo um infarte pergunto logo:

- Ficou louco? Pára com isso João!

- Agora pode, agora pode!!!!!

Essa é a minha lembrança do dia em que assinaram a anistia no Brasil. Tempos difíceis pro Brasil, mas pra nós eram tempos de descoberta e de liberdade, liberdade de ser jovem e inconsequente, quando ainda se podia ser jovem e inconsequente. Parecia que podíamos tudo, íamos mudar o mundo com nossa música, nossa poesia. O mundo, inclusive era só nosso.

Queriamos mostrar pro mundo a que viemos! Ir pro colégio descalça, discutir filosofia, tocar as músicas que falavam da gente!

" Canta uma canção bonita, falando da vida em ré maior!"

Eramos os donos do mundo! Grimble, Circe, Leo, Salsicha, Denise, e eu mais nova que todos, e louca pra ser descolada como eles. Fizemos um grupo, que um dia ia fazer teatro, "Tatibitati", palavra mágica, linguagem de criança.

Um dia depois 30 anos reencontrei o Grimble, e nós choramos! Um encontro lindo, como se não tivessemos ficado um dia longe um do outro. E ficou a vontade de encontrar os outros, de chorar com eles também, e quem sabe até cantar