terça-feira, 22 de setembro de 2015

A idade da minha avó!

Daqui a alguns dias completo 50 voltas em torno do sol! Ou seja vou ter a idade da minha avó, ou a idade que ela tinha quando eu nasci. Na verdade vovó tinha 48 anos quando eu nasci, mas não sei porque ela sempre dizia que tinha 50 anos mais que eu, e assim ficou determinado na minha cabeça!

Talvez seja difícil para os jovens de hoje entender esse contrassenso. Quando eu era criança, senhoras de 50 anos tinham cara de avós, e avós eram velhinhas que ficavam em casa, faziam tricô e docinhos gostosos!  O mundo ainda era muito parecido com o que vocês assistem nos filmes de época, pais trabalhavam e mães cuidavam dos filhos e,na imensa maioria das vezes viviam juntos por toda a vida. TV quando havia era em preto e branco, o rádio era algo que ocupava parte importante em nossas vidas e telefone era uma coisa preta com um disco com o fone ligado a ele por um fio todo encaracolado, e só podíamos usá-lo em casa. O mundo era menos complicado, alta tecnologia era o rádio de pilhas, toca fitas e televisão em cores!

Mas nesse mundo tão simples, fui me acostumando que as coisas mudavam, e muito rapidamente! Minha mãe, sempre trabalhou, e com quatro filhos arrumou tempo pra se formar na faculdade, fazer mestrado e doutorado. Minha avó, aos 58 anos decidiu voltar a trabalhar para poder ter uma aposentadoria melhor e ajudar meu avô na corretora de valores, meus pais se separaram e eu mudei de casa, de cidade e de estado. E o mundo a minha volta também estava mudando.

Cresci no regime militar, lutei pela redemocratização do país, pintei a cara pra tirar o primeiro presidente eleito, fiquei mais cética e vi o Brasil chegar neste estado de coisas! Vi o primeiro computador IBM a chegar na Bolsa de Valores de São Paulo, uma coisa imensa que precisava de um monte de gente pra funcionar, andei na primeira viagem de metrô de São Paulo, vi o homem chegar a Lua ( e até hoje me pergunto porque),  participei das primeiras transmissões de dados via canal transdata no Brasil. Usei máquina de escrever, computador com tela cor de abóbora, tive medo da terceira guerra mundial, vi o muro de Berlim ser derrubado, fui ao primeiro Rock'n Rio, estava no verão da lata, fui a usuária do primeiro 386 comercial do Brasil, me lembro do primeiro bebê de proveta, dancei discoteque, patinei pelos rollers da vida, vivi a geração do tudo pode e que descobriu que não podia por conta de um negócio chamado HIV.

E de repente, pensando em tudo isso, percebo que também faço parte da geração que vai viver mais do que qualquer outra já viveu, e que ainda tem muita coisa por vir antes de eu poder dizer que estou velha. Os cabelos vão ficando cada vez mais brancos, os níveis de colesterol e a pressão arterial resolvem que é hora de aparecer, e começo a perceber que está mais do que na hora de deixar o importante tomar o lugar do urgente e realmente apreciar a vida!

Ainda me surpreendo ao olhar no espelho, me pergunto quem é essa senhora do outro lado, pois a cabeça continua pensando nas muitas coisas que ainda não fiz, nos sonhos que ainda tenho, nos lugares que ainda preciso ir e decido que a senhora que o espelho insiste em me mostrar precisa usar um pouquinho mais da energia da menina que ainda mora dentro de mim.

Que venham os 50, 60, 70, e quantos mais eu precisar viver, mas por favor, não se assustem com a menina de 15 anos que de vez em quando aparece e começa a dançar na frente do espelho, usando uma escova de cabelos no lugar do microfone, fazendo o seu show particular.


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