sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Chico Buarque, o primeiro homem da minha vida!

Hoje acordei cantando, na verdade acordo cantando quase todos os dias, cantar faz parte do meu universo como respirar e comer, e acordei cantando uma canção da minha infância: "Olê, Olá", de Chico Buarque. Abro meu facebook e dou de cara com um artigo falando sobre ele....então percebi que o Chico foi o primeiro homem de minha vida. E certamente o mais fiel, pois há 46 anos só me proporcionou momentos maravilhosos.

Sua carreira começou em 64 com Marcha para um Dia de Sol, mas foi em 1965 quando eu nasci, que gravou seus primeiros sucessos entre eles a já citada Olê, Olá e também cantou sua dor de cotovelo por uma certa Rita que levou os 20 anos e o coração do pobre. Nesse mesmo ano lançou uma canção chamada Tereza Tristeza, que na minha inocência de criança tinha sido feita pra mim! Meus tios ,que eram mais novos que mamãe e papai, eram grandes fãs do Chico, em especial meu padrinho, que era meu herói! O Carlinhos tinha todos os discos e os gravava em suas fitas K7 pra que ouvíssemos no carro. A Banda virou hino da família e, assim como o terceiro de Terezinha: foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não, se instalou feito um poceiro dentro do meu coração.

Mas foi já na adolescência que seus lindos olhos azuis me encantaram de vez! Ao ouvir pela primeira vez Cálice chorei feito criança, o mundo era muito diferente, era 1978 e estávamos em plena ditadura militar! Cálice trouxe canções revolucionárias: Apesar de você, Tanto Mar, Pequeña Serenata Diurna (do cubano Silvio Rodriguez), Geni e o Zepellin e a mais linda de todas: O meu amor! Imagina aos 13 anos ouvir: O meu amor tem um jeito manso que é só seu de me beijar os seios! Aí me apaixonei sem direito à cura!

Por causa dele soube da Revolução dos Cravos, retratada em Tanto Mar, com ele cantei Vai Passar quando pedíamos Diretas Já! Descobri músicos de outros mundos como o já citado Silvio Rodriguez, Pablo Milanez, Astor Piazolla, Sergio Endrigo, Cesária Èvora, todos, como eu, fãs de sua delicadeza em fazer poesia e canção. Já era mulher feita em 1987, quando Chico gravou as duas canções que elegi como canções de minha vida: Todo Sentimento e Lola.

Há uns 15 anos, quando estava com meu amigo Wagner Amorosino no estúdio, acompanhando as gravações do CD de Toquinho e Paulinho Nogueira, fiquei responsável por atender o celular do Toquinho enquanto ele estava gravando. O telefone tocou e eu imediatamente atendi:

- Celular do Toquinho, boa noite!

Do outro lado uma voz masculina pergunta:

- O Toquinho pode atender?

Ao que respondi:

- Infelizmente ele está em estúdio, quer deixar algum recado?

- Fala pra ele ligar pro Chico.

Achei um pouco muito tamanha intimidade e perguntei:

- Que Chico?

A resposta imediata e inesperada do outro lado quase me mata do coração:

- Buarque de Holanda.

"
Depois de recuperar o fôlego, respondi com a naturalidade de um elefante numa loja de cristais:

- Pode deixar que dou o recado.

E esse foi o dia que perdi a oportunidade de dizer algo inteligente pro maior gênio da Música Brasileira.

Os anos passaram, mas Chico na sua maturidade não nos deixa na mão. Ao ouvir suas novas canções, entre elas : "Porque era ela, porque era eu" e a surpresa poética de "Querido Diário" não há como negar que sua genialidade supera as limitações de espaço e tempo. A maior prova disso é que meus filhos também gostam do Chico e sabem muitas de suas músicas de cor.

Hoje o blog está light, eu estou light, começo 2012 menos belicosa e acreditando num mundo melhor....acreditando que tudo vai passar e fazendo uma justa homenagem ao homem dos sonhos de todas nós, aquele que entre tantas coisas disse um dia:

Depois de te perder, te encontro com certeza, talvez no tempo da delicadeza, onde não diremos nada, nada aconteceu, apenas seguirei como encantado ao lado seu!

Salve Chico Buarque de Hollanda, salve o compositor popular

7 comentários:

  1. Teresa, difícil comentar seu texto, por óbvias razões. A principal é a incapacidade de separar as coisas do tipo: falar de um filho, falar do time de coração, falar da pessoa que gostamos, etc. Contudo, por demanda, vou tentar. Não sei se consigo, mas tento, afinal, sou ou não um desportista?
    Seu texto é claro e totalmente estruturado, seguindo sua linha do tempo, facilitando o entendimento do leitor e a sua melhor compreensão.
    Seu texto é sensível e emotivo. Difícil isso, para aqueles que não escrevem conciliar estas duas oponentes coisas: forma e conteúdo.
    Seu texto é magnífico, como diz uma certa canção: "sem tirar, nem por".
    Seu texto me inspira orgulho de poder repartir alguns momentos que para nós se tornam dignos de um belo brinde.
    Parabéns!

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  2. Acima, por José Eduardo do Rêgo Mello.

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  3. Obrigada Edu!
    Como eu te disse esse foi um texto que adorei escrever.Sua opinião me anima a, quem sabe, publicar semanalmente como sempre quis fazer.
    Beijos

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  4. Amiga, ad0rei!!!!!!!! Nunca fui fã de Chic0 cant0r, mas sempre fui fã d0 c0mp0sit0r, p0eta e escrit0r Chic0 Buarque! Parabéns! Beij0s Cris

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  5. Assino embaixo, Terê. O hômi marcou um monte de gerações - a nossa, graças a deus.

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